{"id":2897,"date":"2024-12-14T18:38:05","date_gmt":"2024-12-14T21:38:05","guid":{"rendered":"https:\/\/sergiodesouza.com.br\/blog\/?p=2897"},"modified":"2024-12-14T18:48:16","modified_gmt":"2024-12-14T21:48:16","slug":"a-nivel-de-exprecao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sergiodesouza.com.br\/blog\/index.php\/2024\/12\/14\/a-nivel-de-exprecao\/","title":{"rendered":"&#8220;A Nivel de Espre\u00e7\u00e3o&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201c<em>Se voc\u00ea se dispor a atuar apenas a n\u00edvel empresarial, n\u00e3o estar\u00e1 cumprindo sua miss\u00e3o integralmente. Enquanto pessoas humanas, tamb\u00e9m temos um importante compromisso social, no sentido de consolidar o futuro do nosso pa\u00eds<\/em>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Parece texto dos redatores do programa de televis\u00e3o \u201c<em>Casseta &amp; Planeta<\/em>\u201d. Mas o assunto \u00e9 s\u00e9rio: trata-se da s\u00edntese de um discurso de apresenta\u00e7\u00e3o do balan\u00e7o social de um grande banco nacional, feito por um de seus diretores. O mais curioso, no entanto, \u00e9 que, para grande parte dos ouvintes, esses a\u00e7oites na l\u00edngua portuguesa soaram como o mais solene vern\u00e1culo. Erros de concord\u00e2ncia e deslizes de v\u00e1rios tipos, embora sempre constrangedores, s\u00e3o comuns mesmo entre profissionais de destaque no mundo empresarial. O problema \u00e9 que nem sempre s\u00e3o detectados e pouca gente est\u00e1 realmente preocupada, ou qualificada, em esclarecer tais equ\u00edvocos. Mesmo assim, eles sempre acabam impressionando, e mal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>\u00c9 lament\u00e1vel que tantos profissionais, com n\u00edvel superior e at\u00e9 p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, cometam erros t\u00e3o crassos<\/em>\u201d, critica a professora Laurinda Grion, que durante sua experi\u00eancia de anos como secret\u00e1ria executiva compilou o material para seus dois livros, <em>100 Erros de Portugu\u00eas que Executivos n\u00e3o Devem Cometer<\/em> e <em>Mais 100 Erros&#8230;<\/em>, que em um ano venderam mais de 100.000 exemplares em todo o pa\u00eds. Desde ent\u00e3o, vem sendo chamada por v\u00e1rias empresas para treinar seus quadros a falar e escrever corretamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro recurso que tem conquistado um n\u00famero cada vez maior de interessados \u00e9 o programa <em>Nossa L\u00edngua Portuguesa<\/em>, exibido pela TV Cultura diariamente em duas edi\u00e7\u00f5es e apresentado pelo professor Pasquale Cipro Neto, que se tornou uma celebridade gra\u00e7as \u00e0 sua maneira objetiva e direta de combater erros e cacoetes e esclarecer d\u00favidas. \u201c<em>Os erros mais dif\u00edceis de combater s\u00e3o aqueles perpetrados e sacramentados por pessoas influentes, que acabam servindo de modelo<\/em>&#8220;, observa Pasquale, que d\u00e1, a seguir, algumas dicas de como evitar esses tais enganos.<\/p>\n\n\n\n<p>Express\u00f5es a ser banidas<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cA n\u00edvel de&#8230;\u201d<\/strong> &#8211; Apesar de ser uma das preferidas de ministros e figur\u00f5es em geral, a express\u00e3o n\u00e3o existe na l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cEle n\u00e3o se encontra no momento.\u201d<\/strong> &#8211; Quem fala corretamente o idioma pode acreditar que a pessoa em quest\u00e3o est\u00e1 sofrendo de um tempor\u00e1rio surto de desajuste emocional. Dizer simplesmente que \u201cele n\u00e3o est\u00e1\u201d pode evitar mal-entendidos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cNo sentido de facilitar as coisas\u201d<\/strong> &#8211; Melhor mesmo n\u00e3o complicar. Diga simplesmente: \u201cPara facilitar&#8230;\u201d &#8211; faz muito mais sentido.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cEnquanto mulher, n\u00e3o me sinto discriminada.\u201d<\/strong> &#8211; O fator de discrimina\u00e7\u00e3o deve ser o mau emprego da conjun\u00e7\u00e3o \u201cenquanto\u201d, que s\u00f3 tem conota\u00e7\u00e3o temporal. Melhor dizer: \u201cComo mulher&#8230;\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Emprego de pronomes<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cN\u00e3o lhe entendi\u201d , \u201ch\u00e1 quanto tempo n\u00e3o lhe vejo!\u201d<\/strong> &#8211; Entender, ver e todos os verbos que pedem complemento direto n\u00e3o combinam com o pronome obl\u00edquo \u201clhe\u201d. O certo \u00e9: \u201cN\u00e3o o entendi\u201d, \u201cn\u00e3o a vejo\u201d etc.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cVamos se encontrar.\u201d<\/strong> &#8211; Imposs\u00edvel. A primeira pessoa do plural (n\u00f3s vamos) nunca se encontra com a terceira do singular (se). H\u00e1 que se dizer: \u201cVamos nos encontrar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cEntre ele e eu n\u00e3o h\u00e1 problemas.\u201d<\/strong> &#8211; Engano!&nbsp; O problema, grave, por sinal, \u00e9 que a forma correta \u00e9: \u201cEntre ele e mim\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cExmo. Sr., em resposta \u00e0 vossa carta&#8230;\u201d<\/strong> &#8211; O \u201cExmo. Sr.\u201d \u00e9 uma terceira pessoa do singular, que, apesar de muito importante, n\u00e3o aceita o imponente \u201cvossa\u201d,&nbsp; destinado \u00e0 segunda pessoa do plural. Escreve-se:&nbsp; \u201cEm resposta \u00e0 sua carta\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Conjuga\u00e7\u00e3o e concord\u00e2ncia verbal<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cSe voc\u00ea ver ele\u201d , \u201cquando eu propor\u201d, \u201cse lhe convir\u201d, \u201cse n\u00f3s determos a infla\u00e7\u00e3o\u201d etc.<\/strong> &#8211; O correto \u00e9 \u201cse voc\u00ea o vir\u201d, &#8220;quando eu propuser\u201d, \u201cse lhe convier\u201d, \u201cse n\u00f3s detivermos a infla\u00e7\u00e3o\u201d, Nem sempre \u00e9 f\u00e1cil, mas tem que saber.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cHouveram muitos presentes.\u201d<\/strong> &#8211; Ausente, no caso, \u00e9 a concord\u00e2ncia. Quando significa existir, o verbo haver \u00e9 impessoal e n\u00e3o declina. Diz-se: \u201cHouve muitos presentes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cN\u00e3o se ouve queixas.\u201d<\/strong> &#8211; Mas deveriam se ouvir. Esta \u00e9 uma voz passiva sint\u00e9tica, que equivale a \u201cqueixas n\u00e3o s\u00e3o ouvidas\u201d. O certo, portanto, \u00e9: \u201cN\u00e3o se ouvem queixas\u201d, assim como \u201cn\u00e3o se aceitam propinas\u201d, \u201cvendem-se apartamentos\u201d etc.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Concord\u00e2ncia de g\u00eanero e grau<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cS\u00e3o meio-dia e meio.\u201d<\/strong> &#8211; Duas vezes errado. Meio-dia \u00e9 singular, e hora \u00e9 feminino. Logo: \u201c\u00c9 meio-dia e meia\u201d (mais meia hora). <strong>\u201c\u00c9 ela mesmo.\u201d<\/strong> N\u00e3o \u00e9. \u201c\u00c9 ela mesma.\u201d <strong>\u201cSegue anexo as faturas.\u201d<\/strong> Novamente dupla falta. \u201cSeguem anexas as faturas\u201d \u00e9 como deve ser.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Redund\u00e2ncia<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cH\u00e1 quinze dias atr\u00e1s.\u201d<\/strong> Ou um ou outro. \u201cQuinze dias atr\u00e1s\u201d ou \u201ch\u00e1 quinze dias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cTenho um amigo meu.\u201d<\/strong> N\u00e3o \u00e9 preciso refor\u00e7ar. Se voc\u00ea o tem, ele \u00e9 seu.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cPessoa humana.\u201d<\/strong> &#8211; Pessoa ou ser humano. Como preferir.<\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Palavras mal pronunciadas<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vamos deixar claro: <\/strong>n\u00e3o existe <strong><em>adevogado<\/em> <\/strong>(<em>advogado<\/em>), nem <strong><em>r\u00e9fem<\/em> <\/strong>(<em>ref\u00e9m<\/em>), nem <strong><em>r\u00fabrica<\/em> <\/strong>(<em>rubrica<\/em>), nem <strong><em>\u00edbero<\/em> <\/strong>(<em>ibero<\/em>), nem <strong><em>discre\u00e7\u00e3o<\/em> <\/strong>(<em>discri\u00e7\u00e3o<\/em>). Tamb\u00e9m n\u00e3o se diz <em><strong>r\u00faim<\/strong><\/em>, mas <em>ruim<\/em>, nem <em><strong>interim<\/strong><\/em>, mas <em>\u00ednterim<\/em>. E, embora n\u00e3o venha ao caso, \u00e9 importante saber que n\u00e3o h\u00e1 <em><strong>estrupos<\/strong><\/em>, mas <em>estupros<\/em>, nem <strong><em>sombrancelhas<\/em> <\/strong>(e sim <em>sobrancelhas<\/em>), nem <strong><em>benefici\u00eancia<\/em> <\/strong>(e sim <em>benefic\u00eancia<\/em>). Na d\u00favida, consulte o dicion\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Uso inadequado de express\u00f5es<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<strong>Propositura<\/strong>\u201d (em vez de proposta), \u201c<strong>penalizar <\/strong>o infrator\u201d (em vez de punir), \u201c<strong>prostrado <\/strong>em frente \u00e0 porta\u201d (no lugar de postado) etc. Muita gente acha que falar bem implica usar palavras imponentes. Para evitar essas confus\u00f5es, o melhor recurso \u00e9 ler muito.<\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>Crase<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o h\u00e1 mist\u00e9rio:<\/strong> s\u00f3 existe quando os artigos femininos (a, as) se seguem \u00e0 preposi\u00e7\u00e3o \u201c<strong>a<\/strong>\u201d. Exemplos: \u201cVou \u00e0 reuni\u00e3o das 14 h\u201d (para a reuni\u00e3o), &#8220;em resposta \u00e0s suas perguntas\u201d (dando resposta para as suas perguntas).<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Revista Voc\u00ea S\/A &#8211; Editora Abril &#8211; 2001<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSe voc\u00ea se dispor a atuar apenas a n\u00edvel empresarial, n\u00e3o estar\u00e1 cumprindo sua miss\u00e3o integralmente. Enquanto pessoas humanas, tamb\u00e9m temos um importante compromisso social, no sentido de consolidar o futuro do nosso pa\u00eds.\u201d Parece texto dos redatores do programa de televis\u00e3o \u201cCasseta &amp; Planeta\u201d. Mas o assunto \u00e9 s\u00e9rio: trata-se da s\u00edntese de um discurso de apresenta\u00e7\u00e3o do balan\u00e7o social de um grande banco nacional, feito por um de seus diretores. O mais curioso, no entanto, \u00e9 que, para grande parte dos ouvintes, esses a\u00e7oites na l\u00edngua portuguesa soaram como o mais solene vern\u00e1culo. Erros de concord\u00e2ncia e deslizes de v\u00e1rios tipos, embora sempre constrangedores, s\u00e3o comuns mesmo entre profissionais de destaque no mundo empresarial. O problema \u00e9 que nem sempre s\u00e3o detectados e pouca gente est\u00e1 realmente preocupada, ou qualificada, em esclarecer tais equ\u00edvocos. Mesmo assim, eles sempre acabam impressionando, e mal. \u201c\u00c9 lament\u00e1vel que tantos profissionais, com n\u00edvel superior e at\u00e9 p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, cometam erros t\u00e3o crassos\u201d, critica a professora Laurinda Grion, que durante sua experi\u00eancia de anos como secret\u00e1ria executiva compilou o material para seus dois livros, 100 Erros de Portugu\u00eas que Executivos n\u00e3o Devem Cometer e Mais 100 Erros&#8230;, que em um ano venderam mais de 100.000 exemplares em todo o pa\u00eds. Desde ent\u00e3o, vem sendo chamada por v\u00e1rias empresas para treinar seus quadros a falar e escrever corretamente. Outro recurso que tem conquistado um n\u00famero cada vez maior de interessados \u00e9 o programa Nossa L\u00edngua Portuguesa, exibido pela TV Cultura diariamente em duas edi\u00e7\u00f5es e apresentado pelo professor Pasquale Cipro Neto, que se tornou uma celebridade gra\u00e7as \u00e0 sua maneira objetiva e direta de combater erros e cacoetes e esclarecer d\u00favidas. \u201cOs erros mais dif\u00edceis de combater s\u00e3o aqueles perpetrados e sacramentados por pessoas influentes, que acabam servindo de modelo&#8220;, observa Pasquale, que d\u00e1, a seguir, algumas dicas de como evitar esses tais enganos. Express\u00f5es a ser banidas \u201cA n\u00edvel de&#8230;\u201d &#8211; Apesar de ser uma das preferidas de ministros e figur\u00f5es em geral, a express\u00e3o n\u00e3o existe na l\u00edngua portuguesa. \u201cEle n\u00e3o se encontra no momento.\u201d &#8211; Quem fala corretamente o idioma pode acreditar que a pessoa em quest\u00e3o est\u00e1 sofrendo de um tempor\u00e1rio surto de desajuste emocional. Dizer simplesmente que \u201cele n\u00e3o est\u00e1\u201d pode evitar mal-entendidos. \u201cNo sentido de facilitar as coisas\u201d &#8211; Melhor mesmo n\u00e3o complicar. Diga simplesmente: \u201cPara facilitar&#8230;\u201d &#8211; faz muito mais sentido. \u201cEnquanto mulher, n\u00e3o me sinto discriminada.\u201d &#8211; O fator de discrimina\u00e7\u00e3o deve ser o mau emprego da conjun\u00e7\u00e3o \u201cenquanto\u201d, que s\u00f3 tem conota\u00e7\u00e3o temporal. Melhor dizer: \u201cComo mulher&#8230;\u201d Emprego de pronomes \u201cN\u00e3o lhe entendi\u201d , \u201ch\u00e1 quanto tempo n\u00e3o lhe vejo!\u201d &#8211; Entender, ver e todos os verbos que pedem complemento direto n\u00e3o combinam com o pronome obl\u00edquo \u201clhe\u201d. O certo \u00e9: \u201cN\u00e3o o entendi\u201d, \u201cn\u00e3o a vejo\u201d etc. \u201cVamos se encontrar.\u201d &#8211; Imposs\u00edvel. A primeira pessoa do plural (n\u00f3s vamos) nunca se encontra com a terceira do singular (se). H\u00e1 que se dizer: \u201cVamos nos encontrar\u201d. \u201cEntre ele e eu n\u00e3o h\u00e1 problemas.\u201d &#8211; Engano!&nbsp; O problema, grave, por sinal, \u00e9 que a forma correta \u00e9: \u201cEntre ele e mim\u201d. \u201cExmo. Sr., em resposta \u00e0 vossa carta&#8230;\u201d &#8211; O \u201cExmo. Sr.\u201d \u00e9 uma terceira pessoa do singular, que, apesar de muito importante, n\u00e3o aceita o imponente \u201cvossa\u201d,&nbsp; destinado \u00e0 segunda pessoa do plural. Escreve-se:&nbsp; \u201cEm resposta \u00e0 sua carta\u201d. Conjuga\u00e7\u00e3o e concord\u00e2ncia verbal \u201cSe voc\u00ea ver ele\u201d , \u201cquando eu propor\u201d, \u201cse lhe convir\u201d, \u201cse n\u00f3s determos a infla\u00e7\u00e3o\u201d etc. &#8211; O correto \u00e9 \u201cse voc\u00ea o vir\u201d, &#8220;quando eu propuser\u201d, \u201cse lhe convier\u201d, \u201cse n\u00f3s detivermos a infla\u00e7\u00e3o\u201d, Nem sempre \u00e9 f\u00e1cil, mas tem que saber. \u201cHouveram muitos presentes.\u201d &#8211; Ausente, no caso, \u00e9 a concord\u00e2ncia. Quando significa existir, o verbo haver \u00e9 impessoal e n\u00e3o declina. Diz-se: \u201cHouve muitos presentes\u201d. \u201cN\u00e3o se ouve queixas.\u201d &#8211; Mas deveriam se ouvir. Esta \u00e9 uma voz passiva sint\u00e9tica, que equivale a \u201cqueixas n\u00e3o s\u00e3o ouvidas\u201d. O certo, portanto, \u00e9: \u201cN\u00e3o se ouvem queixas\u201d, assim como \u201cn\u00e3o se aceitam propinas\u201d, \u201cvendem-se apartamentos\u201d etc. Concord\u00e2ncia de g\u00eanero e grau \u201cS\u00e3o meio-dia e meio.\u201d &#8211; Duas vezes errado. Meio-dia \u00e9 singular, e hora \u00e9 feminino. Logo: \u201c\u00c9 meio-dia e meia\u201d (mais meia hora). \u201c\u00c9 ela mesmo.\u201d N\u00e3o \u00e9. \u201c\u00c9 ela mesma.\u201d \u201cSegue anexo as faturas.\u201d Novamente dupla falta. \u201cSeguem anexas as faturas\u201d \u00e9 como deve ser. Redund\u00e2ncia \u201cH\u00e1 quinze dias atr\u00e1s.\u201d Ou um ou outro. \u201cQuinze dias atr\u00e1s\u201d ou \u201ch\u00e1 quinze dias\u201d. \u201cTenho um amigo meu.\u201d N\u00e3o \u00e9 preciso refor\u00e7ar. Se voc\u00ea o tem, ele \u00e9 seu. \u201cPessoa humana.\u201d &#8211; Pessoa ou ser humano. Como preferir. Palavras mal pronunciadas Vamos deixar claro: n\u00e3o existe adevogado (advogado), nem r\u00e9fem (ref\u00e9m), nem r\u00fabrica (rubrica), nem \u00edbero (ibero), nem discre\u00e7\u00e3o (discri\u00e7\u00e3o). Tamb\u00e9m n\u00e3o se diz r\u00faim, mas ruim, nem interim, mas \u00ednterim. E, embora n\u00e3o venha ao caso, \u00e9 importante saber que n\u00e3o h\u00e1 estrupos, mas estupros, nem sombrancelhas (e sim sobrancelhas), nem benefici\u00eancia (e sim benefic\u00eancia). Na d\u00favida, consulte o dicion\u00e1rio. Uso inadequado de express\u00f5es \u201cPropositura\u201d (em vez de proposta), \u201cpenalizar o infrator\u201d (em vez de punir), \u201cprostrado em frente \u00e0 porta\u201d (no lugar de postado) etc. Muita gente acha que falar bem implica usar palavras imponentes. Para evitar essas confus\u00f5es, o melhor recurso \u00e9 ler muito. Crase N\u00e3o h\u00e1 mist\u00e9rio: s\u00f3 existe quando os artigos femininos (a, as) se seguem \u00e0 preposi\u00e7\u00e3o \u201ca\u201d. Exemplos: \u201cVou \u00e0 reuni\u00e3o das 14 h\u201d (para a reuni\u00e3o), &#8220;em resposta \u00e0s suas perguntas\u201d (dando resposta para as suas perguntas). Fonte: Revista Voc\u00ea S\/A &#8211; Editora Abril &#8211; 2001<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2898,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[55],"tags":[56,57],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sergiodesouza.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2897"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sergiodesouza.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sergiodesouza.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sergiodesouza.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sergiodesouza.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2897"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/sergiodesouza.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2897\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2900,"href":"https:\/\/sergiodesouza.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2897\/revisions\/2900"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sergiodesouza.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2898"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sergiodesouza.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2897"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sergiodesouza.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2897"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sergiodesouza.com.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2897"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}