Língua Portuguesa

Superdotação e o Poder do Bom Português: A Chave para Desbloquear Conhecimentos Autônomos

Texto: Sergio de Souza

Em um mundo onde a superdotação é frequentemente associada a mentes brilhantes que fazem conexões improváveis entre disciplinas, os chamados (em tom jocoso) de “links mentais”, uma ferramenta essencial é subestimada: o Bom Português, ou o bom domínio do próprio idioma. Não se trata apenas de gramática ou ortografia, mas da capacidade de ler, compreender e absorver textos complexos de forma autônoma. Para o superdotado, que estuda sozinho e aprofunda temas variados — de música a legislação tributária, passando por tecnologia da informação —, uma linguagem precisa é o alicerce que transforma dotações em realizações concretas.

Por Que o Português É Essencial para Superdotados?

Os superdotados pensam rápido, conectam ideias distantes e se entediam com superficialidades. Mas sem domínio da língua materna, como acessar fontes primárias? Livros densos, artigos acadêmicos ou manuais técnicos exigem precisão vocabular e sintática. Um verbo mal conjugado ou uma concordância falha equivalem a uma dissonância harmônica na música: destoa o raciocínio e bloqueia o fluxo cognitivo.

Eu mesmo, graças a ótimos professores de Língua Portuguesa na juventude, desenvolvi a habilidade de estudar sozinho. Essa base me permitiu transcender mentores e explorar áreas como escalas musicais, profecias messiânicas e planilhas avançadas. Sem ela, minhas dotações teriam ficado latentes.

Relatos Pessoais: Quando a Superdotação Ultrapassa os Mentores

Tive dois mentores fundamentais em meu desenvolvimento: Geraldo e José Roberto, ambos falecidos. Inteligentes e generosos, eles me formaram em bases sólidas. Porém, ao alcançar um nível superior de habilidades, notei limites: coisas que eles não conseguiam entender ou fechar o raciocínio.

Certa vez, meu principal mentor, Geraldo, analisou uma planilha que montei no Quattro Pro — planilha eletrônica concorrente do Lotus 123, e uma ferramenta avançada, de então, para relatórios complexos. Ele não entendeu a estrutura e sugeriu: “Você precisa fazer um curso para tornar seus relatórios mais fáceis de entender”. Na época, doeu, mas era sinal de que eu havia avançado além do meu mentor, uma sumidade administrativa, comercial e lógica. O Bom Português me permitiu criar documentação clara o suficiente para perícias, mas a visualização técnica exigia “pensar” em camadas além das aprendidas.

Recentemente alguém, também treinado por Geraldo, usou isso contra mim. Em uma planilha desenvolvida para uma perícia de liquidação de sentença, ele não compreendeu minha lógica e rebateu: “O Geraldo estava certo, você precisa ser mais claro”. Respondi simplesmente: “Ora, é só pensar e, como nas investigações sobre corrupção, “follow the money”, ou seja, seguir a trilha das amarrações da planilha. Ele, como os mentores, parou no superficial; eu, graças ao estudo autônomo — nutrido pelo Português preciso (e por manuais de 500 páginas) —, via o todo.

Esses episódios ilustram: superdotação não basta; precisa de linguagem como ponte. Meus professores de Português me deram asas para voar sozinho, lendo tratados teológicos, manuais de harmonia e relatórios forenses sem depender de ninguém.

Do Estudo Autônomo à Realização: Gratidão e Lição

Deus me dotou de curiosidade insaciável, mas foram os mestres da língua que a canalizaram. Hoje, aos 63 anos, estudo piano, cello, trombone, Tecnologia da Informação, Escatologia e Teologia simultaneamente — tudo via leitura autônoma. Sem bom Português, isso seria impossível: Profecias Messiânicas, os escritos de Josefo, ou escalas e campos harmônicos pareceriam grego.

Para superdotados: invistam na língua, pois ela multiplica dotações. Não é elitismo; é ferramenta para servir melhor — na música, na fé, na vida.

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